Viagem na Maionese

Um blogger para todos os viajantes de maionese do mundo virtual...



23.6.08

Bom Humor e Positividade

Ser otimista é uma obrigação. Ninguém que possa estar lendo isso tem nada. Se você tem um computador com Internet em casa, no trabalho ou pode pagar para estar numa lan, você tem algo. Não diga que não tem nada. Nunca.
Você é a pessoa mais importante da sua vida. Querendo ou não. Confesse, o universo tem sido muito generoso, não? O mundo tem feito mais por ti do que você por ele, ne? Agradeça pelo que tem e pare de se queixar! Para estar aqui lendo este fantástico blog, minimamente, sabes ler, tem uma renda, alimentação e uma cama quente para deitar quando voltar para uma cassa: a sua casa. Se tiver só isso, já tem mais do que 2/3 da humanidade...
Importante, pare de desejar que os outros mudem por você. Isso não vai acontecer. Estas pessoas ainda nem gostam de você, por que fariam mudanças em seus comportamentos para te agradar? Isto sim é pretensão!
É você que vai ter que mudar! Teve toda uma vida te mostrando isso e você ainda não aprendeu? Ai ai ai. Ta na hora de se mexer.
Outra coisas: remédios normalmente não resolvem seus problemas. Eles podem ate, a principio, dar um alivio. A intenção é até boa, mas o fato é que eles detonam com o sistema imunológico, em especial os antibióticos. Matam tudo o que é bio, inclusive o que é bom. Isso é uma catástrofe para o organismo. É bem verdade que, as vezes salvam. As vezes. O problema nem são eles em si, mas o que fazemos deles e a industria que se nutre da ingenuidade e conformismo humanos.
Enfim, vamos parar de procurar a felicidade fora. Nem as pessoas, nem os remédios nem a auto-comiseração vão te ajudar muito.
Ser feliz é uma decisão. Requer trabalho mental diário. Não se pode ESTAR feliz para SER feliz. Mas não é necessário ter ou fazer nada para SER feliz. É preciso SER... Feliz.
Não fuja dos desafios. Se alguma coisa te constrange, magoa ou revolta, abra os ombros e vá de encontro rapidamente. Elimine os medos. Nada pode te destruir. Alem do mais, quanto mais energia se gasta temendo, mais apegado está e mais chance tem de perder. Então, comece isso tudo relaxando.
Cada momento é único. Não desperdice. Não se altere, não brigue, não dê importância ao que não tem importância. Não valorize o que não é bom. E não eprca o bom humor por nada no mundo. Não volte a reclamar, a lamentar ou a mendigar atenção e reconhecimento. Não seja um vampiro energético, senão irá afastar as pessoas e coisas interessantes, ao invés de atraí-las.
Você já é rico. Mas pode ser ainda mais. Não seja humilde no que é bom. Faça direito e admita que é excelente no que faz. Sem nem você admirar seu trabalho, quem o fará? Não diga que é pobre nem medíocre, porque se disser, estará automaticamente sendo. Aceite o que a vida tem a oferecer de maravilhoso. A vida é maravilhosa. Depende mais de você de qualquer outra coisa.
Só podemos dar o que temos. Nenhum mal educado passará a te cumprimentar (e quem se importa?), mas se der falta de educação, terá falta de educação; se der gentileza, terá gentileza. Não há como ser diferente. Mas não cobre das pessoas. Elas têm todo tempo do mundo para aprender, mas você não, porque já está mudando o seu destino. E não tem tempo a perder.Você domina o seu destino ou é dominado por ele. Então não se comporte como um animal domestico. Reaja.
Não sei se a transformação é fácil ou difícil. Eu também estou aprendendo. Mas é preciso começar e não dá para esperar. Cada segundo perdido é um segundo a menos de fartura e satisfação em sua vida. Então, corra, desde já, para um futuro diferente muito melhor do que estava previsto.

11 de setembro

Há exatamente 7 anos, enquanto almoçava num restaurantezinho da pequena Quissamã, onde trabalhava em meu primeiro emprego após a faculdade, assisti ao marco do inicio da decadência Estadunidense.
Estadunidense, porque não os deixarei tirar meu direito de ser chamada de americana...
Ainda com o prato na mão nas mãos, não conseguia tirar os olhos da TV e assim me sentei. E não conseguia entender tanto quanto não conseguia deixar de dar atenção.
No começo, até pensei em piada. Depois achei que não seria tão grave assim. Continuei não valorizando e até hoje tenho minhas dúvidas se realmente acredito naquilo.
Então minha mãe telefonou para dizer. Logo ela que não está nem aí pra nada disso. Se estava ligando, eu deveria me importar.
A cada garfada, eu entendia um pouco mais. Entendia, mas não compreendia.
Enfim, passaram-se 7 anos e continuo garfando para assimilar o que aconteceu naquele fatídico dia...
Posso estar errada, mas o que vi foi o estupro público dos EUA. Em todos os canais, o tempo todo, em qualquer parte do planeta, todas as atenções estavam voltadas para a humilhação em 3D do império “americano”.
Nada teve mais impacto em sua história. As catástrofes naturais matam e destroem muito mais, no entanto, não chegam aos pés de causar tamanha vergonha.
Eles nunca engoliram este acontecimento. Mastigam e mastigam, mas não engolem. Na tentativa de vingança, descarregaram no “malvado” Sadam, já que Bin Laden, por alguma razão, estava acima do bem e do mal. Como uma criança que bate no menor por ter apanhado do maior.
É claro que as pessoas, individualmente, não têm culpa. Muitas nem eram a favor das guerras desesperadas que sua Pátria trava com qualquer um que se meta em seu caminho. Mas o fato é que o país, não as pessoas, merecia esta pedra no telhado de vidro. Ele não é imune nem está perdoado pelas covardes tragédias que provoca.
Ficou comprovado que estão errando feio em sua insistente política pró-guerra e este atentado escancarado foi permitido pelo universo por esta razão.

Diferentes...

Não... Mesmo sendo diferentes, não significa que estamos errados.
A principio o que não é habitual, é considerado esquisito e é desprezamos. Um engano absurdo! O medo do novo, o que apelidei carinhosa e debochadamente de “neofobia”, faz com que a maioria negue e renegue, por puro pré-conceito, até o que faz bem.
Vejam o vegetarianismo. Os vegetarianos de qualquer qualidade filosófica, sofrem. Antes preciso dizer algo: existem basicamente dois tipos de vegetariano: um não come carnes para promover sua própria saúde e outro não come por respeito, por crer que todo ser tem direito a viver. E com dignidade. Este segundo grupo abre mão do prazer carnal do paladar por amor! Isto deveria ser louvado, mas ao contrário, é motivo de piadas e comentários maldosos e insensíveis.
Será que até deixar viver incomoda? Parece certo, a espécie humana claramente vegetariana permitir esta matança covarde? Só porque não conseguem deixar de se alimentar de animais, criticam quem consegue?
O parto então... Dizem que somos radicais, que hospital é segurança e que não somos bichos. Primeiro: radical significa “ligado às raízes”, sim eu sou; Segundo: o ambiente hospitalar já provou de todas as formas que não é lugar para gente saudável, seja por suas bactérias mega resistentes ou pela falta de humanização habitual; e sim. Nós somos biologicamente animais capazes de fazer todo o trabalho a que nosso corpo naturalmente se dispõe. Então... Por que ter filhos através de arriscadas e frias cirurgias uterinas? Eu que sou maluca? Parto não é dor, é prazer. Claro que na realidade hospitalar é sofrimento, mas não tem que ser assim. Dá para fazer diferente e ter a mulher experiência da vida. Como eu tive...
Positividade... Até o otimista e bem-humorado é criticado. O bem-humorado é visto como irresponsável e, pasmem, insensível. O otimista é um iludido, ingênuo.
E tantos outros bons ideais menosprezados pelo mais medíocre sentimento: o medo.
Ou seja, até para fazer o bem, colocam empecilhos! Criticar os dispostos, idealistas e corajosos é uma demonstração de insegurança e pessimismo. São “os diferentes” que transformam o mundo... Ser mais um, não tem graça nenhuma.

Dignos de dignidade

Quase todos os dias, assistimos noticiários informando sobre uma nova técnica, remédio, vacina ou aparelho, tudo sempre em teste, que promete revolucionar, curar ou aliviar de imediato, de maneira prática, o sofrimento. Sempre com o grande jargão: melhorar a qualidade de vida do homem maoderno. Bom a conversa é esta, mas está muito claro que o investimento é mais em perpetuação da vida humana, do que simplesmente em qualidade de vida, que virou um bordão, facilmente encaixável e manipulável, no tema saúde.
Há um consenso, totalmente na contramão do que tem dito a própria ciência, de que a tecnologia faz bem até quando não é necessária. Quem nunca escutou: “É melhor fazer tomografia e não ter nada, do que não fazer e ter um câncer”? Máxima que desconsidera as probabilidades, as indicações clínicas e, portanto, a própria ciência. Mas que serve muito bem para alimentar a indústria do medo e dos excessos... E também a da falsa esperança de vida eterna, com saúde.
Não respeitamos mais os fetos inviáveis, os idosos extremos, muito menos os acamados completos que não têm a menor esperança de mexer sequer um dedo. E pior, intervimos com dor, iludimos ou os obrigamos a esperar em sofrimento.
A lógica humana seria cômica se não fosse trágica. Mantemos nossos irmãos – humanos – vivos sob a mais questionáveis circunstâncias e matamos qualquer ser que julgamos abaixo de nós, sob uma hierarquia que nós mesmo inventamos, para escravizar, comer, nos divertir ou para obter algum prazer.
Isso se chama especismo. E me diga se falando diretamente assim, isto não é um absurdo?
Todos temos direitos. Somos todos um só, porque viemos do mesmo lugar. Todos sem exceção, desde uma galinha até uma baleia azul. Então porque escolher alguns para preservar, outros para amar e outros para comer? Qual o critério que utilizam para determinar quem merece viver e quem merece morrer?
Você pode achar que estou embaralhando dois assuntos distintos, mas olhe mais uma vez. Criaturas são criaturas e todos merecem seu respeito: humanos doentes, humanos sadios, bichos doentes, bichos sadios.
Quanta perda de tempo. Por que simplesmente não investimos muito mais educação, informação, conscientização e, por que não dizer, sabedoria? Por que não nos ensinam a viver e, após esgotadas as possibilidades comprovadamente eficazes, morrer dignamente e em paz?
Todos merecemos viver, mas acima disso, todos somos, desde sempre, “dignos de dignidade”. Sob qualquer circunstância. Pense nisso.

Vida moderna

É verdade que nós, mulheres, ganhamos muito com a revolução e “igualdade” sexuais. Mas para mim, está cada vez mais obvio que perdemos demais também. Perdas imensuráveis. Filhos, prazeres, disponibilidade, família... E por que não dizer individualmente, o marido... O mais abandonado de toda a historia!
O tempo disponível acaba indo para os filhos. O dinheiro também em aulas, cursos, esportes, psicólogos... Pouco se gasta de dinheiro, atenção e carinho com o homem da sua vida.
Não que a vida tradicional da nossa avó fosse a ideal. Maridos boêmios, traindo suas esposas, não ajudavam nada em casa, detentores de todo o dinheiro conseguido e conseqüentemente toda a força e poder da casa. Não era menor do que é hoje a violência física contra a mulher.
Mas se um casal conseguir associar o que havia de melhor no passado com o melhor do presente estabelecerá um futuro ainda melhor. A família poderia ser assim, o que todas nós sonhamos desde menina.
Deixar de trabalhar talvez não seja a solução porque já esta embutida em nós, a idéia de que precisamos ter o nosso próprio dinheiro. Mas talvez uma carga horária menor ou mais flexível... Um jantar a luz de velas, um dia inteiro so de passeio, um arroz deliciosamente empapadinho, um agarro de surpresas, beijinhos de manhã, sexo antes de dormir...Dormir de conchinha. Todos nós precisamos disso. Um pouco de trilha sonora hollywoodiana não faz mal a ninguém. Mas sem ilusões. A realidade pode ser muito mais legal do que a ficção.
Meu marido sempre diz: “Por que as pessoas querem igualdade sexual se homens e mulheres são diferentes!”. Obviamente ele não esta falando de direitos e deveres, mas de comportamentos, trejeitos, peculiriaridades.
E ao passo que exigimos igualdade, vemos que as pessoas mais diferentes é que estão na moda. As mulheres mais delicadas são as mais cobiçadas, os homens mais sensíveis, os mais charmosos, as moças mais inteligentes têm mais destaque e os rapazes que olham nos olhos são os que conquistam mais corações.
Ser diferente é legal demais!
Não podemos simplesmente dividir as tarefas (sem exageros) e fazer tudo ficar em paz?
Antes, os casamentos duravam porque o poder era concentrado no macho e hoje não dão certo porque o casal não tem tempo nem de dividir o poder.
Estou certa de que se encontrássemos o ponto certo, teríamos menos divórcios e muito mais relacionamentos felizes. De verdade.

Filmes pornôs

Filmes pornôs sempre foram um sucesso. São as provas cabais de que com uma câmera de baixa qualidade com um cinegrafista iniciante, homens feios, péssimas atrizes e um roteiro muito pior do que medíocre, pode-se até fazer um filme... Pornô.
É um mercado que nutre uma necessidade básica do ser vivo. E como na industria de alimentos, não poderia dar errado: todos precisam comer e fazer sexo.
Abaixo o machismo, o feminismo e o moralismo. Mas podemos subir pelo menos um degrau na sensatez humana?
Não somos bichos. Se bem que algumas vezes, eles parecem mais românticos do que nós. Como podemos nos excitar com aquele vuco-vuco, com a “objetividade da penetração, com o close nas secreções vaginais e penianas? E mais, como podemos achar isso normal? A explicitação do sagrado a um custo barato. Demais.
Nossas genitálias não nos foram dadas ou emprestadas para simplesmente gozarmos à menor oportunidade. E filmes pornôs fazer divagar. Fazem até mesmo casais apaixonados pensarem em ménage a trois.
Sexo é gostoso, relaxa. Mas não é só isso.
A energia sexual pode criar vida. E vida é tudo.
Bem direcionada, esta energia faz crescer, construir, expandir.
Não estou viajando na maionese desta vez. É só parar para pensar.
Mas quando mal usada, pode destruir, atrasar e diminuir.
Sexo por sexo é só vaidade.
Mas existem pessoas que gostam de atuar em filmes pornôs. Mulheres pela grana e pelos holofotes e homens pelo prazer, basicamente.
E sinceramente, da ate para compreender a “motivação destes. Não que seja nobre, mas enfim, dá.
Mas quem não se indigna ao assistir a algum “artista” decadente dizendo que fez um “filme erótico” porque precisava da grana? É possível “precisar” de 200mil reais? Será que não existe nenhum outro trabalho que o salve de passar “fome”? Não poderiam simplesmente usar seu “prestigio” e conhecimento para conseguir trabalho? Alguma coisa menos rentável, mas que não escancarasse seus órgãos sexuais na TV ou algo assim.
Como se não houvesse mais como decair, ainda temos que forçar nossos abençoados ouvidos a escutar “ninguém vai a minha casa pedir pra pagar as minhas contas!”. Nem na minha. Nem na de ninguém. Mas o que faz, de verdade, algumas mulheres se submeterem aos desejos masculinos de forma tão escrachada?
Eu falo em especial das mulheres, porque sou mulher e mesmo assim não consigo compreender.
Algumas são ousadas e contestadoras e acham que esta é uma forma de desafiar os conceitos tradicionais de postura feminina e atacar o conservadorismo. Mas é claro que há outras formas e devem haver outras razoes subconscientes para isso.
Os homens, infelizmente, ainda são criados para espalhar seus genes pelo planeta, comendo todo mundo que dê mole. Graças aos céus, muitos são contestadores deste pensamento simplista e acomodado e decidem ter relações sexuais somente com suas namoradas. Nota: normalmente eles são encantadores.
Mas resta o que chamo de 3º grupo de atores pornôs, que é esse que diz que faz porque precisa. Ou ate assumem que não precisam, mas fazem pelo dinheiro. E este é o pior, porque eles compreendem o conceito de moral, mas o vendem. Depende só do preço.
O fato é que nada compra de volta uma imagem limpa. Para sempre as pessoas vão saber detalhes de sua vagina, seu pênis e anus. Em cada lugar que o ator pornô for, seja no restaurante, num setting de filmagem ou numa igreja, suas genitálias estarão sendo lembradas e julgadas. Qualquer relacionamento futuro (ou pasmem há quem tenha relacionamento atual!) terá problemas porque as pessoas não conseguem lidar fácil com esta exposição da pessoa que amam. Não há muitas pessoas que sejam capazes de aceitar que os trejeitos sexuais do amor de sua vida sejam conhecidos em seu trabalho, em sua roda de amigos, em sua família, por estranhos e em toda parte.
Sem ilusões: fazer filmes pornôs não é um somente um trabalho, como outro qualquer. Não que posar nu seja, mas ainda é melhor aceitável, socialmente. A pessoa que vende sua intimidade para o mundo, jamais poderá comprá-la de volta. Ou mesmo reconquistá-la completamente. Com tantos exemplos, será que é necessário passar pela experiência para saber? Mas uma vez lá, não há caminho de volta.

postado por: MAMAE DO KLAUSS 5:43 PM


8.5.04

MORREU HOJE... EM MEUS BRAÇOS
(Isto nao é um relato de parto. Na verdade, é uma historia muito triste que vivi e decidi colocar aqui pra quem quiser ler.)

Hj foi um dia daqueles...
Ja havia começado mal, mas como sabem, nada é tao ruim q nao possa piorar...

A tarde, qd eu saía p fazer minhas visitas domiciliares, o tel do motorista tocou. Uma ligacao da minha unidade de saude pedindo p ir a casa da Linea q o bebe estava passando mal. Eu nem ia la correndo, pq tinha uma visita urgente p fazer, mas a minha agente de saude teve quase uma premonicao e pediu q fossemos la primeiro.

Nos fomos. E qd cheguei la, todo mundo chorando e gritando "Ele ta morto, ele ta morto, Dielly!" Eu nao acreditei.

Acompanhei aquela crianca em cada consulta (semanal, fora as visitas em casa)... E qd eu nao estava acompanhando, ele estava internado. Vitor era seu nome. Vitor de Vitoria mesmo por ter chegado onde chegou. Prematuro de sete meses, filho de mae adolescente (15 anos) com outro adolescente da mesma idade (mas uma familia), nao amamentado ao seio, apesar de muito amado.

Entrei correndo pela casa, quase ignorando a mae (Línea) q vinha quase me pedindo desculpas pelo ocorrido...
Ele estava pouca coisa mais frio do q o normal, mas todo molinho e cianótico nas mucosas.
Tentei fazer massagem cardiaca na hora, mas ja estava saindo secrecao pelo nariz...

Saí correndo p a ambulancia e implorei ao motorista q fosse pelo caminho mais proximoq, por "coincidencia", tb é o mais perigoso.
A Mae do bebe foi junto. Desesperada. Dizia q ele tinha mamado meio dia (qd o viu vivo pela ultima vez). Colocou-o p arrotar e depois de ladinho. As 14:00, qd foi dar banho e mais mamadeira, retornou e ele ja nao respondia mais.

E eu, me agarrava ao ultimo fio de esperanca, fazendo minhas massagens continuas e respiracoes boca a boca, enquanto da boquinha dele escorria um misto de leite com sangue do qual nunca vou me esquecer. Qt mais eu fazia, mais saía.
Eu o chamava, na verdade, o invocava para q viesse de onde quer q estivesse.

Entrei correndo pela porta do PS, assustando ate os outros pacientes, "Pediara! Emergenciä!" c ele, tao pequenininho no meu colo.
Disse a uma das meninas da enfermagem "esta parado". A Pediatra veio, quem tinha q vir, veio. Achavam q eu era a mae e queriam me tirar de la (eu e essa minha mania de nunca usar branco). Mas qd a pediatra perguntou a q horas a mae tinha visto o bebe vivo pela ultima vez vivo e eu respondi "meio diä, depois da mamada"... Ela parou tudo "ele esta morto".

Hj eu vivi o pesadelo de todas as maes. Eu a vi sendo informada da morte, vi o pai sabendo, vi pedindo autorizacao p necropsia, rezamos juntas p Nossa senhora (mesmo eu n sendo catolica), e o pior, vi a mae se despedindo do corpinho do filho. Ele, c as maozinhas amarradinhas, numa caixa de papelao.
Nao consegui manter a pose, a cara de mal dos colegas duroes. Chorei. Chorei e muito. Em muita quantidade e muitas vezes.
Eu tb sou mae. E me vi o tempo inteiro ali.
Ate eu estava precisando ser cosolada. Mas dei a vez.

Meu filhao esta aqui, bem, cheio de vida. Fez dois anos em 11/07.
Qd cheguei dei beijos profundos e abracos apertados nele. Como se fosse a ultima vez. Momentos q nunca sabemos qd serao mesmo o ultimo...

Eu agradeci a Deus pela ingenuidade da Linea pois eu n consigo parar de imaginar o bebe se afogando.
Regurgitanto e aspirando o leite por poucos minutos e se perguntando instintivamente "Onde esta a minha mamae? Ela sempre sabe o q fazer nessas horas..."
Me desculpe o desabafo. Talvez nao tenha nada a ver eu fazer isso. Ou até ja esteja bem acostumado a isso. Mas eu precisava compartilhar minha dor, minha culpa e minha frustracao diante de tudo isso.
Mas me fez bem escrever.

Agora vou tomar um banho daqueles, tirar o gosto, a mancha, o cheiro e (quem sabe) o sentimento q estao impregnados em mim.
As marcas no meu coracao serao cicatrizadas. Mas a dessa mae, eu n sei.

Na necropsia teremos a certeza da razao pela qual o bebe morreu. Mas o q tenho certeza é q nao existe culpados, nem culpa.
Nunca sofri tanto por um paciente, mas tb poucas vezes fui mais proxima.

Aqui eu deixo minha homenagem ao vitor. Esse homenzinho q veio bravamente ao mundo, nasceu e foi embora antes mesmo do dia em q "deveria" nascer. Mas deua sua pequena familia, uma grande liçao de vida e fez muito bem o q veio fazer nesse mundo.
Aos meus amigos, peço q deem valor aos momentos, pq somos todos provisorios. E em especial, peço uma oracao pela alma do Vitor e de sua Mamaezinha, tao jovem e tao perdida...
De mim, Deus cuida...
Eu ja chorei demais por hj...
05/07/2004

postado por: MAMAE DO KLAUSS 9:22 PM


24.5.03




arquivo